Send As SMS

Tuesday, December 31, 2002
Neste dia: BBC Wikipedia History Channel Daily Bleed IMDB NY Times How To

Desejo um Bom 2003 a todos!

Saturday, December 28, 2002
Neste dia: BBC Wikipedia History Channel Daily Bleed IMDB NY Times How To

O futuro de Aveiro

Jo�o Manuel Oliveira
jmo@esoterica.pt

Nesta �poca festiva, � importante, para um melhor 2003, que se analise em abund�ncia o significativo de 2002 para, a partir da�, definir de forma correcta o que devemos fazer no ano que est� prestes a entrar.

Devido a isso, imp�e-se uma reflex�o, um princ�pio e uma forma coerente de olhar Aveiro. Aveiro que tem uma oportunidade pela frente mas tamb�m um desafio e uma l�gica que deve ser mudada. A de cidade-regi�o, a de cidade-modelo e a de cidade coerente.

A de cidade-regi�o prende-se com uma vis�o intermunicipal onde, muito embora �espa�o central� n�o submeta as outras cidades e espa�os aglutinadores e sejam encontrados espa�os dialogantes. � curioso que num espa�o relativamente plano, onde � f�cil e frequente a desloca��o de popula��es, subsistam in�meras cidades, in�meras vontades e in�meros �caciques�. Cada um dos concelhos vive com o peso de um mesmo desenvolvimento estrat�gico, com a mesma l�gica de utiliza��o de todos os instrumentos de desenvolvimento. Como se cada um deles necessitasse de todas as ferramentas e n�o passasse sem nenhuma. Ou se cada um dos concelhos fosse um espa�o-estanque e perfeitamente definido, sem rela��es de vizinhan�a e sem conhecimento do que pode ser conjug�vel. Estou a falar de �coisas� t�o simples como uma defini��o de estruturas industriais, pol�ticas de desenvolvimento dos solos, turismo, entre muitas outras.

Aveiro como cidade-modelo e Aveiro como cidade-coerente s�o, potencialmente, outros chav�es que necessitam de justifica��o. Mas quem olha com a paix�o desavinda pela cidade, aquela paix�o que j� foi amor, que se sentiu tra�do e por isso j� reconhece algumas rugas, demonstra que Aveiro est� a ir por um caminho, � certo, mas sem se saber muito bem qual o fim que esse caminho leva.

Aveiro deve saber priorizar as suas necessidades � aquelas que s�o mesmo necess�rias � e caminhar para a excel�ncia. Deve lembrar-se que o paradigma de cidade moderna n�o � necessariamente o de cidade-constru��o. Deve lembrar-se que entre o �nada feito� que os socialistas criticaram a Celso Santos e a �cidade imobili�ria� de Alberto Souto, pode e deve aparecer o equil�brio.

O equil�brio que mostre que Aveiro � uma cidade coerente. Uma cidade que aposta em terminar as infraestruturas fundamentais � qualidade de vida de um cidad�o, uma cidade que aposta na preserva��o hist�rica, na recupera��o do que est� degradado, numa cidade que necessita de acreditar numa aposta tecnol�gica e numa verdadeira liga��o � universidade.

Uma cidade que precisa pensar para decidir, uma cidade que n�o precisa de crescer assim tanto: queremos mesmo ser como Braga? Queremos n�o ter nada para mostrar de verdadeiramente importante?

Esperemos que 2003 seja um ano em que algumas destas perguntas comecem a ser verdadeiramente importantes.

Monday, December 23, 2002
Neste dia: BBC Wikipedia History Channel Daily Bleed IMDB NY Times How To

D�vidas do M�rio Duarte

Jo�o Manuel Oliveira
Nuno Arroteia

�A C�mara Municipal de Aveiro vai vender o Est�dio M�rio Duarte � Universidade da cidade. O executivo camar�rio vai vender o recinto, que � propriedade municipal, por 2,5 milh�es de euros quando o Beira-Mar se mudar em definitivo para o est�dio que a autarquia est� a construir nos arredores de Aveiro�
Esta foi a not�cia �esperada� que mais nos custou ler nas �ltimas semanas. As d�vidas s�o muitas e gostar�amos que reflectissem connosco sobre a gravidade das mesmas.

A C�mara de Aveiro e o seu presidente, Alberto Souto de Miranda denota, mais uma vez, que as grandes op��es de futuro da cidade s�o para pouco discutir entre os cidad�os. Os assuntos, pensados durante meses no inner-circle do presidente s�o colocados de uma forma subtil sempre como algo de j� conclu�do, fundamental, imposs�vel de alterar ou t�o urgentes que ultrapassem qualquer regra de l�gica pol�tica. Um exemplo transparece desta not�cia. O �P�blico�, jornal de onde tirei esta cita��o da Lusa refere que Alberto Souto �admitiu que o Beira-Mar n�o foi informado pr�via e formalmente desta decis�o camar�ria, mas n�o afastou a possibilidade de negociar com o clube contrapartidas pelas benfeitorias feitas no Est�dio M�rio Duarte�. O est�dio, que vai parar �s m�os da Universidade por pouco mais de um ter�o do que, h� pouco tempo, a c�mara queria pelo neg�cio (1,5 milh�es de contos) demonstra que o que interessa � que haja dinheiro para o Euro�2004. A lisura fica para depois�

Este neg�cio entre duas entidades importantes da cidade demonstra outras formas de olhar a cidade. Entre as quais, o fim do projecto de Gir�o Pereira de uma zona verde longitudinal que atravessasse a cidade. Com efeito, a proposta de �matar� o campo de treinos da cidade � moradias de luxo oblige � e a venda com constru��o assegurada do Est�dio corta, de vez e para sempre, o cord�o verde da Baixa de Santo Ant�nio, Parque e o espa�o l�dico-ambiental verde de Santiago.

Outras d�vidas se levantam com este neg�cio. Segundo a mesma not�cia, �destina-se � expans�o da Universidade, prevendo-se o aproveitamento do relvado e a demoli��o de bancadas. A �rea global a vender � Universidade � de 16.800 metros quadrados e numa parte ser� admitida a constru��o de 4.500 metros quadrados acima do solo, numa �rea de implanta��o de 900 metros quadrados�. Uma simples conta de aritm�tica nos informa que ser�o CINCO pisos acima do solo, que a Universidade ir� construir, sensivelmente a �rea do Hospital. Por falar em Hospital, que no mandato anterior de Alberto Souto tinha preparado a sua expans�o para os Armaz�ns Gerais�

Para al�m do autoritarismo das decis�es, da destrui��o de uma zona verde, da constru��o na �rea, tamb�m a Universidade de Aveiro fica marcada definitivamente com este acordo. Interessados na compra, esta entidade vai contrariar a tend�ncia das universidades para dizerem que n�o t�m dinheiro para nada. Entre Moagens, Est�dio M�rio Duarte, Crastos, etc, a expans�o f�sica da universidade continua, haja dinheiro�

Claro que com a perplexidade de neste acordo estarem as duas entidades que, h� menos de dois anos n�o tiveram nem acordo nem dinheiro para a segunda fase da pista de atletismo, instalada nos terrenos da Universidade. Tamb�m l� continua-se sem bancadas e, curiosamente, esteve em risco um relvado preparado de novo. N�o pomos em d�vida que a Universidade, com dinheiros ou sem eles, fa�a a gest�o dos recintos. Para as suas equipas de futebol e r�guebi jogarem, o defunto (e futuramente sem bancadas!) M�rio Duarte servir� perfeitamente. Esperemos que com seguro para evitar estragos feitos pelas bolas nas moradia vizinhas�

Concep��es
19/12/2002


Jo�o Manuel Oliveira

Com esta coluna come�o a colaborar regularmente, em colunas de opini�o, com o Campe�o das Prov�ncias. Mantendo a minha regular coluna Info.Id um pouco mais centrada nas influ�ncias tecnol�gicas e no modo como temos que reagir ao mundo, sinto uma necessidade de explicar um pouco a concep��o de cidade que Aveiro me evoca e aproveito para descrever as pequenas �est�rias� desta terra que me acolhe desde que nasci. S� inicio agora esta colabora��o regular na �rea da opini�o pois entendo que enquanto jornalista, s� se deve intervir em casos mais extremados na opini�o no pr�prio jornal para onde se colabora. Agora que estou a exercer outras fun��es profissionais, sinto que tenho a oportunidade de descrever o que sinto, ao mesmo tempo que sinto que aqueles pensamentos que escreverei regularmente s�o, n�o apenas os meus mas os vossos�

Antes de referir a tem�tica que pretendia abordar, h� que referir, e se calhar por isso, a vontade de participa��o que pretendo incutir nesta coluna. N�o entendo, muito pelo contr�rio, que uma coluna de opini�o seja uma mera transmiss�o entre o pensamento do colunista e a pena (ai estes devaneios lingu�sticos� as teclas do computador) e a tinta gr�fica que imprime este jornal�

Para mim, uma coluna de opini�o � um espa�o em que um cidad�o interv�m, na medida do poss�vel, tentando alertar para determinadas concep��es n�o simplistas, para outros pontos de vista. � fundamental que receba um �feedback� dos seus leitores � para isso existe o meu e-mail - ou ent�o uma carta para a redac��o do Campe�o das Provincias. � fundamental sentir que aquilo que pensamos �, em certa medida, a express�o escrita do que outros pensam, outros teriam motiva��o para o escrever ou outros ainda o poder�o escrever ou subscrever.

O leitor deve estar a pensar nos devaneios filos�ficos que estou aqui a escrever e a pensar que deveria aproveitar melhor esta coluna para outros assuntos. Sem d�vida. Pensa exactamente da mesma forma que eu: por isso escrevi assim esta primeira coluna. Para que perceba aquilo que eu escreva, para que as regras sejam claras e fundamentadas, para que sinta verdadeiramente esta coluna como sua!

Primeiras regras: a clareza. Sou mon�rquico (ei, n�o passe j� a p�gina, tamb�m podemos falar sobre essa ideia pr�-concebida que tem), n�o sou militante de nenhum partido, gosto das modalidades amadoras (digamos que n�o sou o maior f� dos clubes de futebol) e gosto de escrever, ler e tamb�m ir ao cinema, onde sou bastante ecl�tico.