Dado o brilhantismo da cronica, acredito que os comentarios nao se farao tardar!
Em primeiro lugar, queria dar os parab�ns ao Jo�o pela qualidade das participa��es neste �cantinho� que j� vai sendo de visita obrigat�ria di�ria. Em segundo lugar, gostaria de pedir desculpas por vir tocar num tema que j� foi aqui discutido mas que, por falta de tempo a que o
caldeir�o me obriga, n�o tive possibilidade de escrever sobre ele.
N�o sou pol�tico, nem tenho ambi��o a ter qualquer carreira pol�tica. Talvez por isso, esteja � vontade para escrever sobre isso sem medo de n�o alinhar pelo que � politicamente correcto. Compreendo que quem v� a votos tenha que ter esse g�nero de preocupa��o, mas a minha rela��o com as urnas de voto � s� mesmo para eu ir l� colocar a cruzinha no papel.
N�o vou aqui falar da forma como a maioria das pessoas sobe na carreira pol�tica. A maior parte dos leitores deste espa�o conhece bem o interior dos partidos e sabe bem como o jogo de influ�ncias, o favor aqui retribu�do ali, a vingan�a - entre outros �fant�sticos� motivos � s�o decisivos para a ascens�o a lugares de relevo na pol�tica a pessoas cuja compet�ncia � pouco mais do que med�ocre.
O que quero falar � sobre os ordenados dos pol�ticos. Pode parecer criminoso, em tempo de depress�o (fujo a sete p�s da palavra �recess�o�) econ�mica, dizer que os pol�ticos deviam ser melhor remunerados. Mas a verdade � que enquanto os pol�ticos n�o forem melhor pagos, continuaremos a n�o ter os melhores nos lugares de decis�o pol�tica.
Perdoem-me os v�rios pol�ticos que l�em este espa�o (o meu pai inclu�do) mas, na minha opini�o, os mais competentes Homens (leia-se �homens e mulheres�) n�o est�o na pol�tica e deveriam estar.
Face � med�ocre qualidade de alguns dos pol�ticos actuais, diria que muitos deles s�o at� demasiado bem pagos! Contudo, isso n�o invalida que eu ache que a elite da classe pol�tica tenha que ser muito bem paga (ao n�vel dos gestores de topo das maiores empresas nacionais), sob pena de continuarmos a n�o termos � frente dos mais importantes �rg�os legislativos e executivos do nosso pa�s, as mais competentes pessoas.
Sei que muitos daqueles que est�o a ler estas linhas, estar�o j� cheios de vontades de dizer que a pol�tica � muito mais do que uma mera forma de ganhar uns tost�es e �, sobretudo, um servi�o prestado ao pa�s. Concordo completamente, mas hoje em dia n�o podemos estar apenas a contar com o esp�rito altru�sta de alguns. � imperioso que se consigam reunir um elevado n�mero de argumentos que aliciem as �grandes cabe�as� deste pa�s a abra�arem a actividade pol�tica.
Recordo-me, por exemplo, da vontade que o Dr. Dur�o Barroso tinha em ter o Dr. Ant�nio Carrapatoso, administrador da Vodafone Telecel, no seu Governo. Quando fiz as contas, verifiquei que, caso aceitasse o convite, o Dr. Ant�nio Carrapatoso ia ganhar num ano aquilo que ganha, actualmente, num m�s. Surpreendeu algu�m que ele tivesse declinado o convite? A mim n�o...
Olhem para a nossa Assembleia da Rep�blica e analisem a qualidade dos deputados que a constituem. � claro que h� v�rios deputados com muito n�vel, mas confesso conhecer alguns que n�o t�m qualidade para pertencerem �quela casa. Se l� est�o � pela forma como a ascens�o na carreira pol�tica � feita e pelo facto de l� faltarem dezenas de potenciais deputados que n�o est�o interessados em l� estar, devido ao facto de n�o ser aliciante economicamente.
Muitos rejeitam o aumento das remunera��es da classe pol�tica pelas dificuldades econ�micas do pa�s, mas eu pergunto: Quantos milh�es, no m�dio/longo prazo, produziria a mais o nosso pa�s caso estivessem � frente dos seus destinos as pessoas mais competentes? Seria o aumento dos ordenados dos membros do Governos que iria fazer aumentar a crise? E, em rela��o aos deputados, porque n�o aumentar os seus vencimentos e reduzir o n�mero de deputados, tornando esta medida vi�vel e sem custos adicionais?
Claro que, aqueles que pertencem aos partidos e lidam diariamente com a �guerra dos lugares� come�a logo a argumentar contra esta �ltima hip�tese, sob pena do Parlamento ser desvirtuado. � facilmente compreens�vel o �nervoso miudinho� que deles se apodera quando se toca neste assunto, pois passaria a ser cada vez mais complicado o degradante jogo de bastidores para colocar na AR alguns frutos de favores.
O que eu estou aqui a escrever n�o � original. J� v�rios pol�ticos se manifestaram no sentido do aumento do vencimento dos deputados. O que � certo � que, na altura da verdade (leia-se �na hora de alterar a lei�), come�am a pensar nos votos, a temer a reac��o popular e � como � seu apan�gio � abandonam a ideia, receando a perda de popularidade.
Quero ver � frente do meu pa�s, as mais competentes pessoas. Quero que as pessoas n�o deixem de ser deputados ou ministros porque n�o s�o bem pagas. Quero que as mais competentes pessoas do meu pa�s o liderem. Gostava que, um
dia, as pessoas percebessem que pagar mais aos pol�ticos, em vez de custar dinheiro ao pa�s, no longo prazo, daria muito dinheiro a Portugal.
Eu sei que � politicamente incorrecto dizer isto. Eu sei que muitos pol�ticos n�o dizem isto porque s�o pol�ticos. Eu sei que n�o sou pol�tico e, por isso, posso dizer � vontade o que acho sem medo de nada. E o que eu acho � que os pol�ticos deviam ser mais bem pagos. Mesmo que isso n�o bastasse para resolver os problemas da nossa classe pol�tica. Mas tenho a certeza que, caso sentissem os seus lugares amea�ados, muitos dos nossos pol�ticos fariam muito melhor do que o que fazem hoje.
Ulisses Miguel Couceiro Pereira (o filho)
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