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segunda-feira, 17 de outubro de 2005

Entrevista de Carlos Candal ao JN

Entrevista de Carlos Candal ao JN, disponível aqui

"Será chocante Regina Bastos na presidência"


Prestes a acabar o segundo mandato como presidente da Assembleia Municipal de Aveiro, eleito pelo PS, Carlos Candal, 67 anos, com um passado de combatente antifascista e um dos fundadores do Partido Socialista, defende que Alberto Souto, ao perder a Câmara de Aveiro, foi "vítima de um injustiça histórica".



A derrota de Alberto Souto é uma derrota ou uma injustiça histórica?

É uma injustiça histórica, porque Souto foi um excelente presidente de Câmara em termos de obra. Em oito anos fez-se muito mais obra, desenvolvimento e fomento do que nos mandatos de Girão Pereira e Celso Santos.



No seu entender o que é que falhou?

Uma conjugação de diversas circunstâncias, como as dificuldades financeiras da Câmara (endividamento do estádio, cuja construção foi aprovada por unanimidade, portanto, o erro não foi só dele, e sempre pensei que houvesse mais dinheiro do poder central, até porque o Governo, em IVA, recebeu mais do que deu para o estádio); excesso de honestidade ao não querer contrair um empréstimo para pagar as dívidas e a ideia que se criou que privilegiava as freguesias urbanas, quando é verdade que a nível de infra-estruturas deixou o concelho com o saneamento completo. Depois, Souto tem no seu estilo pessoal um cheirinho de aristocrático, não é homem para bacalhoadas e matanças de porco. Há ainda financiamentos e subsídios do Governo atrasados, as reformas do poder central estão a afectar muitas pessoas e, depois, na campanha, admito que a presença de Girão Pereira, que ainda tem muito prestígio, tenha levado a equívocos.



Ele não aceita o lugar de vereador.

Compreendo e digo que está a ser sério. Poderia fingir estar lá dois meses e depois ir embora.



Souto acabou politicamente?

Não sei, mas penso que não. Não concorrerá mais à Câmara, mas tem possibilidades de ter um futuro político como deputado na Assembleia da República ou no Parlamento Europeu ou, ainda, como membro do Governo, apesar de a época não ser boa para isso.



E o futuro do PS em Aveiro?

Agora vamos ter quatro anos de coligação e depois vamos ver. Os dois partidos da coligação, PSD e CDS, não funcionam bem, não têm amizade. Isto foi uma aliança calculista. Vamos ver. De qualquer maneira, o PS está na luta, já que somos um partido de combate. Daqui a quatro anos vamos ver como está a Câmara. Não vamos é buscar ninguém a Estarreja, porque isso eu não consinto.



Quem tem o PS em Aveiro para suceder a Souto?

Há muita gente nova, homens e mulheres com qualidade, embora isso não chegue, é preciso notoriedade. Mas esse aspecto também se trabalha. Não vou citar nomes porque poderia ser injusto.



Vai ocupar o seu lugar na Assembleia?

Vou experimentar e ver como me dou, até porque a minha vida pessoal é muito complicada. Mas não me caem os parentes na lama. Já fiz mandatos na oposição.



O que lhe parece a nova Assembleia Municipal?

Espero que a Regina Bastos não assuma a presidência. Seria uma ofensa grave aos aveirenses. A Assembleia deve ser presidida por um aveirense com muito mérito e respeitável, e não porque quem não nasceu, não estudou, não viveu e nem trabalha em Aveiro. É realmente algo de surrealista. Não estou a tirar mérito e inteligência a Regina Bastos. Estou apenas a dizer isto não é nem tem nada a ver com Aveiro. É uma comissária política, uma espécie de tutora que vem chefiar-nos. Acho isso chocante.

20 comentários:

  1. Embora adepto de Souto tenho a dizer:
    E porque não? Se for competente.

    Gosto de pessoas competentes, Candal. Do que receias?

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  2. É uma comissária política, uma espécie de tutora que vem chefiar-nos. Acho isso chocante.
    TAMBÉM EU.

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  3. Manuel Pinho não foi candidato por Aveiro?????
    Ligação deste a Aveiro:
    -Amigo do Souto

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  4. Não percebi, mas começo a perceber. Este modo de arrogância, prepotência (?) teve o resultado que se sabe no dia 9. Para mal do dr. Candal a "comisária política" varreu um histórico aveirense, aquilo a que se chama um "dinossauro". Varreu e de que maneira. Esmagadoramente. Aveiro deu mais um sinal de ser a "capital" da liberdade. E se soubessemos respeitar a vontade do eleitorado não seria mais bonito? Não saber perder é tão grave como não saber ganhar. O dr. Candal ainda está entalado com o resultado esmagador conseguido pela "comissária política". Tenha paciência, porque a derrota não foi ambigua. Foi clara e limpida, logo,merecedoran no mínimo de respeito. Não pela "comissária politica" ou "estrangeira" como a classificou Candal na campanha. Mas pela vontade maioritária do povo.Candal equivocou-se: aquilo que ele pensava ser uma passeata tornou-se num pesadelo. A lei da vida é assim. Ah! já agora. Tanta "raivinha" por seu uma estrangeira e nada de assomos de averiismo quando toca a escolher os cabeças de lista para as eleições legistativas. Ele é o Cravinho, o Portas, O Pacheco Pereira etc atc. etc. Não há aveirenses que mereçam ser cabeças de lista nessas eleições? Mas sobre isso ninguém pia. Será que o dr. Candal está a ficar senil? Se calhar está.

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  5. Marta Santos, agora que me puxou a memória, queria lembrar os seguintes comissários politicos / estrangeiros (segundo a entrevista:)

    Manuel Pinho, Rosário Carneiro, Maria de Belém, João Cravinho, Teresa Venda... só dos que me lembro...

    Aveirenses na listas legislativas em lugar elegivel? Só o seu filho, Dr. Candal... Que ele nos salve e venha ser candidato :)

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  6. Só uma achegazita João, ainda relativa à derrama. Tal como se previa este homem sério do PS soube defender Aveiro e antecipar as tomadas de posse. Ainda relativamente à Derrama, espero que tenhas lido as afirmações do Prof. Coimbra ao DA («uma descida simbólica do valor» - palavras dele)ou seja está para chegar o 1º logro ou a 1ª de muitas desavenças.

    Ainda respeitante à campanha, ontem o DA trazia uma opinião engraçada, de um jovem socialista cujo nome agora nos falha, e que tecia algumas considerações pertinentes acerca da campanha aveirense do PS. Mais uma vez se confirmou que AS perdeu por si e pelos seus.

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  7. Se as considerações vinham num jornal, não eram "pertinentes"... ou será que o AAS já se esqueceu dos mínimos?
    O AS já passou; agora, bola pra frente! Com tola!

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  8. AAS,

    era o que faltava o actual presidente marcar para mais tarde de forma a impedir a derrama.

    Quanto a descida, ela pode ser simbolica. Já pensou que meio ponto percentual a meio ponto percentual, chegamos ao fim do mandato com 8 em vez de 10, por exemplo? E que o dinheiro libertado com isso não poderá fazer com que haja empresas a optar por Aveiro ou as de cá a investirem em vez de se deslocalizarem?

    Mais uma vez vos digo: tenho pena que tenham acabado o blog. Deviam continuar

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  9. Não é sério dizer que uma empresa se deslocaliza por causa da percentagem da derrama (que, recorde-se, incide apenas sobre o IRC).
    Se querem baixar a sério, baixem o IMI que está elevadíssimo....

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  10. Claro que é sério. Há vários factores para uma empresa escolher um local. Aveiro tem acessibilidades e gente qualificada. Há poucos terrenos e uma derrama alta. Há concelhos que estão mais "agressivos" que Aveiro...
    E o IMI também está na promessa eleitoral. Aliás, não deverá baixar só um, mas sim os dois.

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  11. O JMO é o verdadeiro franco atirador: As taxas tem que critérios economicos e ou politicos. Dizer que é 7,8,10... isto para as empresas ou melhor para os empresários é tanga.
    O que tem que se explicar é o que se faz com cada um desses impostos. Quanto ao IMI o problema não é a taxa a fixar por municipio, mas antes os coeficientes que são aplicados em Aveiro de forma geral e em alguumas areas de forma particular. Devem falar do que sabem ou correm o risco de colaborarem no que o Elio não quer: bagunça. E o amigo, ignorante em algumas matérias está a contribuir para a bagunçada. Não queira ser como o Nuno Rogeiro que é doutorado em tudo. AVEIRO2

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  12. Para que não digam asneiras, aqui vai um excerto do CIMI - Código do Imposto Municipal sobre Imóveis
    Artigo 112º
    Taxas

    1 - As taxas do imposto municipal sobre imóveis são as seguintes:
    a) Prédios rústicos: 0,8%;
    b) Prédios urbanos: 0,4% a 0,8%;
    c) Prédios urbanos avaliados, nos termos do CIMI: 0,2% a 0,5%.

    2 - Tratando-se de prédios constituídos por parte rústica e urbana, aplica-se ao valor patrimonial tributário de cada parte a respectiva taxa.
    3 - Para os prédios que sejam propriedade de entidades que tenham domicílio fiscal em país, território ou região sujeitos a um regime fiscal claramente mais favorável, constantes de lista aprovada por portaria do Ministro das Finanças, a taxa do imposto é de 5%.
    4 - Os municípios, mediante deliberação da assembleia municipal, fixam a taxa a aplicar em cada ano, dentro dos intervalos previstos nas alíneas b) e c) do n.º 1.
    5 - Os municípios, mediante deliberação da assembleia municipal, podem definir áreas territoriais, correspondentes a freguesias ou zonas delimitadas de freguesias, que sejam objecto de operações de reabilitação urbana ou combate à desertificação, e majorar ou minorar até 30% a taxa que vigorar para o ano a que respeita o imposto.
    6 - Os municípios, mediante deliberação da assembleia municipal, podem definir áreas territoriais correspondentes a freguesias ou zonas delimitadas de freguesias e fixar uma redução até 20% da taxa que vigorar no ano a que respeita o imposto a aplicar aos prédios urbanos arrendados, que pode ser cumulativa com a definida no número anterior.
    7 - Os municípios, mediante deliberação da assembleia municipal, podem majorar até 30% a taxa aplicável a prédios urbanos degradados, considerando-se como tais os que, face ao seu estado de conservação, não cumpram satisfatoriamente a sua função ou façam perigar a segurança de pessoas e bens.
    8(*) - Os municípios, mediante deliberação da assembleia municipal, podem majorar até 30% a taxa aplicável aos prédios urbanos ou às suas fracções autónomas que se encontrem devolutos.

    9(*) - Consideram-se devolutos os prédios urbanos ou as suas fracções autónomas que, durante um ano, se encontrem desocupados, por não apresentarem, nomeadamente:

    a) Contratos em vigor com prestadores de serviços públicos essenciais;

    b) Facturação relativa a consumos de água, electricidade, gás e telecomunicações.

    10(*) - Exceptuam-se do número anterior os prédios urbanos ou fracções autónomas dos mesmos que forem destinados à venda ou que sejam destinados a habitação por curtos períodos em praias, campo, termas e quaisquer outros lugares de vilegiatura, para arrendamentos temporários ou para uso próprio.

    11(*) - As deliberações da assembleia municipal referidas no presente artigo devem ser comunicadas à Direcção-Geral dos Impostos para vigorarem no ano seguinte, aplicando-se as taxas mínimas referidas no n.º 1, caso as comunicações não sejam recebidas até 30 de Novembro. (Anterior n.º 8.)
    12(*) - No caso de as deliberações compreenderem zonas delimitadas de freguesias, as comunicações referidas no número anterior são acompanhadas de listagem contendo a indicação dos artigos matriciais dos prédios abrangidos, bem como o número de identificação fiscal dos respectivos titulares. (Anterior n.º 9.)
    (*Red. Lei 55-B/2004 de 30 de Dezembro)

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  13. O João Bernardo já mandou para os jornais a notícia de que é ele o novo presidente da Federação (por demissão do Souto).
    Deve estar tão contentinho... devia era demitir-se também se tivesse vergonha!

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  14. Algumas achegas:
    1.Candal foi sério politicamente ao antecipar a instalação da nova Câmara dando possibilidade que a nova maioria aplique a derrama que tudo o indica será de 9% (vide Jn de sábado)quando Souto queria 10%. Uma baixa folclórica...
    2. Num inquério feito não há muitos anos em Estarreja por uma Câmara de maioria PSD-CDS (tal como em Aveiro vai ser agora) os empresários maribaram-se para a derrama. Disseram que o critério para a sua instalação em qualauer sitio tinha a ver: 1. terrenos baratos; 2. terrenos infra-estruturados; 3. Boas acessibilidades. Nem falaram da derrama...
    3. Candal ao dizer o que disse sobre a escolha de Regina Bastos foi politicamente coerente. Para os mais esquecidos basta lembrar o seu manifesto em português suave que tanta polémica deu aquando da entrada do pacheco pereira e do portas como cabeças de lista por Aveiro. Esquecer este pequeno pormenor - que é só um exemplo - é não ser sério politicamente.
    4. Quem está minimamente informado (e há muito doutor e engenheiro ou bacharel que é um perfeito ignorante, o que não deixa de ser grave) sabe, que as direcções nacionais dos partidos aquando da escolha de deputados escolhem para si o direito de designar os cabeças de lista e os segundo e terceiros...
    5. Quem está minimamente informado sobre a vida politica-partidária de Aveiro sabe que a escolha de Regina Bastos foi uma escolha de recurso. Dos contactados ninguém aceitou e o nome de Girão Pereira avançado pelo PP nas primeiras conversas foi vetado pelo PSD.
    6. Isto não significa que o esteja de acordo com as afirmações de Candal sobre Regina Bastos. Mas também não significa que esteja em desacordo...

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  15. A substituição de Souto por João Bernardo não é nenhuma anormalidade. Tem perfeito enquadramento estatutário. Não é a cada do presidente da Federação que provoca a queda do orgão... Amanhã se o Élio se chatear a Câmara por si não cai... Será substituído e não pelo Capão Filipe como muitos poderão pensar, mas sim pelo Carlos Santos. É que a vaga é preenchida pelo elemento a seguir na lista indicado pelo partidário maioritário da coligação. E a seguir ao Élio, o Carlos Santos é o primeiro da lista indicado pelo PSD e não o Capão Filipe que é do PP.

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  16. "Alberto Souto demitiu-se da presidência da federação distrital de Aveiro do PS e João Bernardo assume a direcção, noticia a Terra Nova." (www.oln.pt)
    Quem terá "dado" a notícia à Rádio Ilhavense?

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  17. João Oliveira
    Para informação dos leitores do blog junto se indicam as taxas de derrama dos municípios do Distrito de Aveiro lançadas para cobrança em 2005:
    Vagos, Murtosa e C.de Paiva - 0%
    Arouca - 6,5%
    A.A Velha, O.Azemeis, S.J.Madeira e V.de Cambra - 8%
    Restantes Municípios (11) - 10%.
    Penso que os leitores do blog gostariam de discutir os eventuais valores que a derrama e o IMI devem assumir num concelho como o nosso.
    Se quiseres prestar esse serviço público desafio-te a abrir a discussão (É dela que nasce a Luz)
    Cumprimentos
    Raul Martins

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  18. Se a relação dos municipios que lançaram taxa de derrama em 2005 (isto é este ano) está correcta transcrita por Raul Martins está correcta, só pode haver um comentário: a que foi sempre lançada por Souto e que este queria repetir não é nenhuma anormalidade e estará "correcta". Há Câmaras do PSD que a têm e até a única que era do CDS-PP (Oliveira do Bairro) também foi pelos 10%... Agora é só tirar as conclusões devidas.

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  19. Estes iluminados querem discutir o valor da derrama sem antes conhecerem os pressupostos:Castelo de Paiva com taxa "0" é pior para qualquer empresario do que taxa 10 em Aveiro ou Ilhavo. O importante para quem se instala são as acessibilidades, comunicações, enegia, agua, esgotos etc...
    A derrama não foi criada para alimentar os orçamentos das CMA´s. Aveiro3

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  20. Perfeitamente de acordo com Aveiro3. As derramas à face da lei são excepcionais. Por isso é que têm que ser aprovadas todos os anos. Se não o forem não existem. E para serem aprovadas têm que ser fundamentadas. Normalmente usa-se o argumento das infra-estruturas...

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