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quinta-feira, 17 de novembro de 2005

Continuam as declarações de Paulo Ribeiro

Paulo Ribeiro prestou declarações ao Diário de Aveiro, atacando também Jaime Borges.

Não é de agora que é conhecido em Aveiro que Jaime Borges e Paulo Ribeiro não se entendiam. Essa informação foi-me confirmada por pessoas que estiveram envolvidas no processo. O ponto mais interessante é Paulo Ribeiro ter dito agora que «Fui empurrado para fora do Teatro Aveirense porque não havia nenhum tipo de cumplicidade com Jaime Borges», declarou ontem Paulo Ribeiro, o coreógrafo que foi afastado da direcção geral e artística daquela sala de espectáculos por motivos financeiros. O responsável adverte, por outro lado, para a existência de um grupo de pressão em Aveiro cuja actuação prejudica o equipamento. «Há um ?lobbie? obscuro instalado na cidade que contribui para que o Teatro Aveirense não possa dar o salto. O projecto nasceu torto e vai continuar torto, porque há pessoas que têm uma certa voz mas que revelam um desconhecimento total», acrescentou.

Como aveirense, gostava de saber a quem está a referir-se Paulo Ribeiro. Estará a falar de João Aidos, de alguém que queria o lugar dele? Para a melhoria da cultura em Aveiro, gostava que Paulo Ribeiro falasse claro e disessem a quem se refere. Sob pena de parecer inconsequente.

«Há certas pessoas que continuam a beneficiar de um ?status? assente na mentira e na falsidade e que conseguem ter apoios na cidade», avaliou Paulo Ribeiro.
Os actuais responsáveis camarários também não escapam às críticas do ex-director geral e artístico do Teatro Aveirense. Os administradores da TEMA «não sabiam a programação que eu tinha delineado porque nunca tiveram o cuidado de perguntar, e só ontem [terça-feira] lha revelei», contou ao Diário de Aveiro, afirmando ainda que «nunca» foi contactado pelo presidente da Câmara, Élio Maia (PSD/CDS).

A primeira frase é parecida com a outra anterior. Nomes seriam ouro.

Paulo Ribeiro deixa a programação «praticamente fechada» até Maio, mas adverte para o risco de perda de um apoio de 200 mil euros do Instituto das Artes para as actividades do Teatro Aveirense em 2006. Aquele organismo tutelado pelo Ministério da Cultura apenas atribui as comparticipações no caso de as entidades beneficiárias disporem de um programador com cinco anos de actividade. «Se essa verba não se perder é porque alguém assinou por cima do meu trabalho, o que não é legal. Eu não deixarei passar isso em claro, porque não pactuo com a incúria, a ignorância e a má-vontade», frisou, alertando que «as pessoas no Ministério da Cultura não são parvas». «Teria aceite sem problema assinar a programação ? que vai ser apresentada ao Instituto das Artes por causa do apoio financeiro ? se as coisas tivessem sido bem faladas e explicadas, mas depois sairia na mesma do Teatro Aveirense», concluiu.

Caros elementos da administração da TEMA, apressem-se a voltar a falar com Paulo Ribeiro. Se o orçamento global é de 650 mil euros e o MC através do IA dá 200 mil, esta é uma oportunidade a não perder.

Ouvido pelo Diário de Aveiro, Jaime Borges nega ter tido qualquer influência na saída de Paulo Ribeiro. «Não tenho esse poder, esse é um assunto da TEMA», explicou, avaliando que as acusações «não fazem nenhum sentido». Borges é gerente da Sociedade Teatro Aveirense Lda., constituída quando a Câmara de Aveiro comprou o equipamento cultural mas que actualmente está em processo de dissolução em virtude da criação da empresa municipal (TEMA) que gere a sala de espectáculos. «Só estou na Sociedade Teatro Aveirense em gestão corrente, não tenho nada a ver com a saída dele», reagiu. «Ele chegou no dia 17 de Outubro e nunca falou comigo», acusou Jaime Borges, que até às últimas eleições autárquicas foi também administrador da TEMA. Pedro Silva era o vereador da Cultura quando o município então presidido pelo socialista Alberto Souto contratou Paulo Ribeiro, no final do mandato anterior. A rescisão do contrato, anunciada terça-feira, deve-se à «situação económico-financeira do município», explicou a TEMA, empresa municipal que gere o equipamento. «Não entendo esse argumento, que considero relativamente falacioso: Paulo Ribeiro sempre esteve aberto a renegociar os seus honorários e, por outro lado, era possível definir uma programação de acordo com o orçamento», frisou ao Diário de Aveiro.
O abandono de Paulo Ribeiro é «uma perda muito grande para a cultura do município e da região», avalia o vereador, realçando o «percurso» do ex-director geral e artístico do Teatro Aveirense. «É um programador de excelência, era a garantia de que seria feito um trabalho notável. Perde-se um elemento que poderia dimensionar definitivamente o Teatro Aveirense a nível nacional», ajuizou, revelando que das «várias vezes» que falou com Capão Filipe, actual vereador para os Assuntos Culturais, não ouviu «nenhuma manifestação contrária à continuidade de Paulo Ribeiro». «Foi uma surpresa, um ?volte-face? repentino», salientou.
O ex-vereador da Cultura critica ainda a autarquia liderada por Élio Maia (PSD/CDS) de se preparar para aproveitar o trabalho realizado em Aveiro pelo homem que acabam de dispensar. «Despedem o programador mas ficam com a programação, o que é discutível e revela alguma desonestidade intelectual», declarou. «Há compromissos já assumidos, com certeza, mas podiam perfeitamente ser reavaliados», acrescentou ao Diário de Aveiro.
Pedro Silva receia agora que se verifique um decréscimo na qualidade da oferta do Teatro Aveirense e criticou a ausência de uma «política cultural» definida pelo actual executivo camarário.

Em relação a Jaime Borges, era conhecido que o mesmo estava em clara perda de poder junto da anterior equipa de vereadores e de Pedro Silva. Aliás, estava-se claramente a preparar a sua saida e a de João Aidos, sendo que este último estava incompatibilizado com meio mundo.
Pedro Silva, pelo seu lado, usa um tipo de linguagem nas acusações pouco condizente com quem conntratou um programador para uma infra-estrutura destas pouco antes de umas eleições. Claro, estava a pensar vence-las... Considerar "desonestidade intelectual" ficar com uma boa programação, de um programador que consideram bom, também acho um pouco despropositado, mas tudo bem.

Aquilo que não se aceita, vindo de Pedro Silva, do Pedro Silva vereador do PS é dizer que há uma "ausência de política cultural" definida pelo actual executivo. Esquece-se ele que, embora tenha sido vereador por pouco tempo, esteve a representar uma equipa cujo último vereador da Cultura foi "queimado" pelo presidente da Câmara, que tinha uma equipa no Teatro Aveirense que não programava actividades para conseguir ter o espaço aberto às sextas e sábados, que programava de uma forma, no mínimo, elitista e que vários se queixavam e que ele próprio queria substituir?
Há coisas que deviamos pensar antes de dizer... Embora concorde com algumas das suas críticas.

7 comentários:

  1. É com alguma preocupação que vejo o futuro do Teatro Aveirense. É preciso garantir a sua dinamização, mesmo que seja com "ranchinhos e filarmonias" (convém é que tenha támbém outras coisas).
    Se fosse eu a escolher, não me decidia com certeza pelas pessoas que lá estão. Mas já que estão escolhidas, espero que façam um bom trabalho.
    Quanto ao Paulo Ribeiro, admiro e aplaudo o seu trabalho. Mas considero que não se devia ter "intrometido" em questões políticas. Foi mau para ele e mau para Aveiro. Eu acredito que não terão sido só motivos financeiros que determinaram o seu afastamento...
    Em relação ao Jaime Borges, não compreendo, com todo o respeito, como é que ele ainda pode ter crédito nestes assuntos.
    No que diz respeito ao Pedro Silva, disse o que tinha que ser dito.
    Constato neste blog que há, em Aveiro, uma verdadeira preocupação com a cultura e com a qualidade da oferta cultural. Ouço múltiplas vozes a manifestarem o desejo de ter espectáculos de qualidade e intelectualmente estimulantes. Só não percebo porque é que o cinema Oita não tem contado com a vossa presença...

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  2. O cinema Oita não tem contado com a nossa presença...
    porque, se calhar, os espectáculos não são para nós de qualidade e não são intelectualmente estimulantes.
    É que isto dos critérios de qualidade na cultura...
    O avant-guardismo exagerado às vezes enxuga as salas de espectáculos.

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  3. Só não percebo porque é que o cinema Oita não tem contado com a vossa presença...

    Cinema é cinema... bailado (contemporaneo ou nao ), musica ao vivo (moderna ou nao) entre outros são outra coisa completamente diferentes... quem achar que o publico que vao ao TA ver espectaculos intelectualmente estimulantes tb va ao oita ver filmes esta a misturar as coisas demais ... exactemente pelo post anterior... o cinema alternativo do oita de vez em quando passa os limites do estimulante, e para a maioria dos mortais e' apenas macador...

    PS: costumo ir ao oita e acho os filmes altamtne estimulantes, no entanto conheco poucos que o achem tb...

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  4. No essencial, perdemos todos. E, mais uma vez, perde a cultura Aveirense.

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  5. "No essencial perdemos todos". Absolutamente ridícula a forma como gente de Aveiro se refere a gente de Aveiro que trata com zelo o património de Aveiro que outros (leia-se os Paulos Ribeiros que por aí vagueiam) procuram parasitar (conhecem o termo tácnico?). Será que esse senhor é mais um dos insubstituíveis da era do Dr. Alberto Souto? É que penso não ser necessário recordar o que aconteceu a esses insubstituíveis, a começar pelo próprio Dr. Souto. E já agora, o amigo Pedro Silva, que tem obrigação de conhecer o dossier do TA com profundidade, devia ele sim deixar-se de desonestidades intelectuais e mentiras factuais que demonstram a sua "nobreza de carácter". Tenha juízo.

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  6. Estranho como este comentário de natureza ignorante e insinuosa, que é anónimo e que levanta questões estúpidas e desinteressantes é colocado aqui. João é certo que mande aqui, mas que tal elevar o nivel?

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  7. De insubstituíveis estão os cemitérios cheios (diz o nosso povo e com razão). Mas será que os apoiantes da lista da coligação acreditam mesmo que o Dr. Élio vai ser capaz de substituir o Dr. Alberto Souto?
    Quando digo "substituir", refiro-me a ter a visão de futuro e capacidade para continuar a dar a Aveiro e aos Aveirenses o prestígio, os conhecimentos e ter inteligência para ser capaz de transformar o concelho e a sua cidade numa das mais modernas da Europa.
    Muito sinceramente, não acredito! O Dr. Alberto Souto tem um curriculum incomparável, não precisava de ser Presidente da Câmara para ganhar dinheiro e prestígio. Pelo contrário, abandonou tudo isso, em prejuízo do seu bem estar e do da sua família para se entregar totalmente à terra que o viu nascer e onde viveu.
    Não comparemos o incomparável. O Dr. Élio precisava do ordenado da Câmara para sobreviver e é pobre o seu passado. O Dr. Alberto Souto sonhou que transfomaria Aveiro e conseguiu-o. Só espero que não estraguem as muitas obras que ele conseguiu porque a história de Aveiro jamais o esquecerá como o HOMEM que deu tudo de si para melhorar a qualidade de vida dos Aveirenses.Rezemos para que esta Câmara passe rapidamente das palavras ao trabalho e não procure constantemente desculpas esfarrapadas para a sua incompetência e ignorância.
    Maria da Trindade

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