Páginas

sexta-feira, 9 de dezembro de 2005

Não resisto a publicar esta carta aberta!

Sr. Primeiro Ministro José Sócrates,

Tendo tomado o seu governo a decisão de promover a retirada dos crucifixos das salas de aula do nosso País, com a justificação que o estado português é um estado laico e que não se pode impôr às crianças simbolos desta ou daquela religião, venho por este meio lembrá-lo que, da mesma forma, o nosso estado laico ainda promove, apoia e estimula verdadeiros abusos religiosos aos nossos cidadãos.

Refiro-me, obviamente, entre outros, a:

- Feriado Nacional para celebrar a Imaculada Concepção de Cristo
- Feriado Nacional para celebrar o nascimento de Cristo.
- Feriado Nacional para lembrarmo-nos de todos os Santos Católicos.
- Feriado Nacional (numa 6a Feira, um dia de trabalho!) para reflectirmos sobre a morte de Cristo.
- Feriado Nacional para celebrar a Sua posterior Ressureição.
- Feriado Nacional em honra da Ascenção aos Céus de Nossa (só de alguns, recordo-lhe) Senhora Maria, mãe de Cristo.
- Feriado Nacional para honrar o Corpo de Cristo
- Feriados Municipais para honrar os Santos Católicos, padroeiros das nossas mais diversas cidades, vilas e aldeias.
- A presença das 5 chagas de Cristo na nossa Bandeira Nacional
- O Monumento do Cristo Rei, na margem Sul do Tejo, um verdadeiro símbolo Cristão colocado num lugar de grande visibilidade e, certamente, muito incómodo para todos os que, não sendo Cristãos, para lá são forçados a olhar.

- À prática, comum, dos jogadores das nossas mais diversas selecções desportivas, de se benzerem enquanto em representação do nosso país.

Haveria, como é óbvio, muitos mais exemplos a apontar, mas estou certo que o senhor será capaz de os identificar e prontamente os eliminar da nossa vida nacional.

De imediato, estou certo que o Sr. Primeiro Ministro implementará de imediato a obrigatoriedade de comparecer ao trabalho a todos os funcionários do Estado em todos os dias úteis que sejam considerados, por alguns, como um dia religioso, caso este seja um dia de semana. A seu tempo, eliminará estes dias do calendário dos Feriados Nacionais, promovendo, desta forma, um aumento de produtividade acentuado.

Urge também proibir todos os nossos municipios de promoverem, tolerar, observar ou apoiar qualquer feriado de indole religiosa, sendo imediatamente abolidos os Santos Padroeiros das nossas cidades, vilas e aldeias.

De igual forma, estou certo que o Sr. Primeiro Ministro irá promover de imediato um concurso para a alteração e remoção de todos os elementos de índole religiosa da nossa Bandeira Nacional.

A demolição da estátua do Cristo Rei em Almada passará, por certo, a fazer parte das suas prioridades.

E estou certo que, tão logo acabe de ler esta missiva, irá instruir os presidentes das diversas Federações desportivas do País para que proíbam toda e qualquer manifestação religiosa por qualquer individuo que esteja em função de representação do nosso Portugal.

E, já agora, não se esqueça de proibir os sinos das igrejas de tocarem, a não ser em caso de fogo ou invasão estrangeira.

E a transmissão de cerimónias religiosas pelo canal publico de televisão!

Para finalizar, Sr. Primeiro Ministro, não se esqueça de, na próxima campanha eleitoral, lembrar as Portuguesas e os Portugueses que foi o Senhor, com o apoio do Partido Socialista, que teve a coragem de tomar estas medidas, tão justas e há tanto tempo ignoradas. É que o povo é muito esquecido, e é sempre bom lembrar-lo quem foram os responsáveis por estes actos de tão grande interesse Nacional.

Certo da sua coragem, convicção e empenho na aplicação das medidas sugeridas

Subscrevo-me,

Um cidadão Português, recenseado e com grande memória.

10 comentários:

  1. O cidadão em causa que diz ter grande memória deve, por isso, lembrar-se que foi uma lei do Estado Novo (do ano da graça de 1936) que determinou que, em todas as escolas, "na parede atrás e sobre o professor fosse afixado um crucifixo").
    Ou seja:
    1.º A "tradição" de que alguns falam não é tão antiga quanto isso.
    2.º Não é a retirada dos crucifixos das escolas que é ideológica. A sua colocação nas escolas é que foi um acto político! De um tempo de que só uns poucos têm saudades...

    ResponderEliminar
  2. Concordando completamente com o comentário já expresso venho por este meio sugerir ao cidadão com tão grandiloquente memória que não se esqueça de enviar uma cartinha ao Cardeal Cerejeira solicitando o pagamento do seu ordenado/reforma mensal.

    De qualquer modo e à laia de uma hipotética victória de Cavaco Silva nas eleições presidenciais poderá estar o cidadão descansado. Cavaco como bom Democrata, após abolir o Carnaval (esse ritual pagão e sem qualquer nexo) abolirá também, e muito democraticamente, o Bolo-Rei, esse fenómeno pseudo-católico que lhe custou 10 anos de exílio universitário.

    Será que o preocupado cidadão também gostaria de ver retiradas as muitas fotografias desse tão nobre Luso, o grande Oliveira Salazar, que ainda perpetuam memórias negras nesse Portugal profundo? Se calhar não.

    ResponderEliminar
  3. Amigo João,

    Pessoalmente concordo plenamente com a retirada dos crucifixos das escolas. Talvez daqui a uns anos os jogadores de futebol, que agora andam nas nossas escolas, deixem de se benzer antes de entrar em campo. O mundo não será muito melhor por isso, mas estará a caminho de o ser.
    Também concordo que não chega. Talvez fosse boa ideia substituir a disciplina de Religião e Moral, por exemplo, pelo ensino do documento mais importante da um país: a constituição, onde, no artigo 13º (princípio de igualdade), ponto 2, diz:

    Ninguém pode ser privilegiado, beneficiado, prejudicado, privado de qualquer direito ou isento de qualquer dever em razão de ascendência, sexo, raça, língua, território de origem, religião, convicções políticas ou ideológicas, instrução, situação económica, condição social ou orientação sexual.

    Não entendo sequer a sua importância institucional quando estamos, por exemplo, a celebrar um século da teoria da Relatividade. Quando se sabe que a religião foi responsável pela nossa medíocre idade média. Também concordo que retirar os crucifixos das salas de aula, de facto, não chega. Mas é um passo...

    ResponderEliminar
  4. ...chamo a atenção para a 1ª Página do Diário de Aveiro.

    Um dos sectores de actividade com mais força no Distrito de Aveiro a produção de ceramica, está literalmente à venda.

    Comprrendo a posição dos vendedores. Mas isto só demonstra que efectivamente somos muito pequenos, sobretudo quando não nos juntamos para atacar a concorrência externa no seu terreno.

    ResponderEliminar
  5. Então o vereador Pedro Silva, o novo arauto moralista da minoria socialista, também vai «dar de frosques» e suspender o seu mandato na Câmara (só mais um socialista a ir embora, nada de novo.....) e aqui neste blog não se diz nada sobre isso nem se comenta nada? Cá para mim o homem sentiu-se o «corno da história», o último a saber de todas as trafulhices do Souto e não esteve para ter de engolir tudo o que se sabe e aquilo que ainda terá de se saber. Mas sobre isto nem uma palavra aqui! Oh JMO estás a ficar ultrapassado pelos acontecimentos!

    ResponderEliminar
  6. É uma tolice argumentar que a retirada de crucifixos só poderá ser coerente se desaparecerem todos os outros sinais e expressões de religião do nosso dia a dia. Somos um produto social, estamos imersos no judaico-cristianismo, mas tal não é desculpa para aceitarmos que por cima dos quadros esteja a figura de um indivíduo torturado numa cruz. Já basta a violência da TV a fazer estragos nas cabecinhas das nossas crianças... A imagem é feia, degradante, e serve apenas para lembrar que todos nós somos supostamente uns "pecadores sem castigo"(!!!). Mais "bonito" era o mural no refeitório de uma escola onde estive: Jesus sentado à mesa, acompanhado de criancinhas de todas as cores. Já agora, devo esclarecer que essa escola era portuguesa, mas no reino de D. Alberto João Jardim. O máximo.

    ResponderEliminar
  7. Relembro que foi a tolerância religiosa que provocou o exacerbar de atitudes fundamentalistas. Hoje em dia, na terra da tolerância - leia-se, Holanda - há líderes religiosos (imigrantes) a fomentar e a incitar a violência contra os "pagãos" indígenas. O uso da burka em França foi proibido porque aquelas mocinhas não têm discernimento para se livrarem daqueles açaimes culturais. Quando me vêm falar de liberdade, respondo sempre que também há raparigas que pedem quase por favor para serem excisadas. É que foram convencidas desde pequenas que só essa prática cruel e por vezes letal as poderá purificar (ler "Aurora do deserto", de Waris Dirie). A liberdade, qualquer que seja, implica regras, meus amigos. É um conceito puramente abstracto, não se trata de fazer tudo o que se quer. Nos dias de hoje, ser livre é agir, mas evitando extremismos sob pena de nos vermos irremediavelmente enredados numa onda de violência.E não são só os islâmicos que são extremistas. Infelizmente, muitos jovens católicos portugueses estão completamente cegos por ideias que não os deixam crescer interiormente, e para quem a ideia de imperativo categórico não existe; apenas a palavra desse"Deus" castigador. Porque não educar as crianças a praticar o bem pelo bem e não pela ideia de uma recompensa no além??? Será que a e´tica não pode substituir a moral religiosa? Isso é assustador...

    ResponderEliminar
  8. Misturar a retirada dos crucifixos com qualquer outra manifestação religiosa só pode ser visto como uma atoarda cheia de maldade e profundamente reaccionária.
    Este sujeito não deve estar a par do que se passou em França com a obrigatoriedade de se não usarem simbolos religiosos nas escolas como o uso de um simples lenço na cabeça...como se sabe de conotação islâmica.
    Para ele se calhar esta medida foi positiva ao contrário da medida agora tomada pelo actual governo.
    Nesta, como noutras matérias, não se pode ser faccioso.
    A escola é para estudar, e para ser universal não deve manifestar posições sectárias.
    Tal com em França também em Portugal medidas desta natureza são sempre um sinal de liberdade, neste caso religiosa e, como tal, bem vindas.
    Ou será que os talibans é que tinham razão ao obrigar as mulheres afegâs a andarem totalmente tapadas???

    ResponderEliminar
  9. É misturar alhos com bugalhos, João. Os católicos deviam ser os primeiros a pedir para os crucifixos não estarem nas escolas públicas. Eu sou católico, e aplaudo a medida. Que não é acessória, como quis fazer crer Cavaco: se tudo fosse acessório, nada se fazia. Ficávamos suspensos das grandes políticas... E o senhor professor adora-as, mas esquece-se do "acessório" (as pessoas, claro).

    ResponderEliminar
  10. e o jornal publicou a carta porque com certeza não tem mais nada para lá pôr. A retirada dos crucifixos das escolas só pecou por tardia (na minha já foi retirado há muito tempo). Quem é católico não precisa de um crucifixo na parede e quem não é não tem de estar a olhar para ele. religião não tem nada a ver com escola, a não ser nas aulas de catequese!

    ResponderEliminar

O Notas de Aveiro não é responsável pelos comentários aqui escritos e assumidos pelos seus autores e a sua publicação não significa que concordemos com as opiniões emitidas. No entanto, como entendemos que somos de alguma forma responsáveis pelo que é escrito de forma anónima não temos pejo em apagar comentários...

Por isso se está a pensar injuriar ou difamar pessoas ou grupos e se refugia no anonimato... não se dê ao trabalho.

Não sabemos se vamos impedir a publicação de anónimos. É provável que o façamos. Por isso se desejar continuar a ver os seus comentários publicados, use um pseudónimo através do Blogger/Google e de-se a conhecer para notasaveiro@gmail.com.

João Oliveira

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...